O 'Google' não basta mais? Como a Inteligência Artificial encontrou o lugar ideal para uma festa - e o que as escolas precisam aprender com isso.
- há 1 dia
- 3 min de leitura
Artigo elaborado por Larissa Benedecti de Comunicação e Marketing da Escola Waldorf Rudolf Steiner.
Recentemente, deleguei uma tarefa de alta carga emocional ao Gemini: encontrar o local ideal para o aniversário de 15 anos dos meus filhos. Com poucas informações sobre verba e perfil, o Gemini não apenas sugeriu o local, como foi tão certeiro que eu sequer fiz uma segunda busca. Eu confiei na informação e fechei o negócio sem visitar nenhum outro lugar.
O insight para quem trabalha com marketing é imediato: o comportamento do consumidor mudou. Não estamos mais apenas "buscando"; estamos delegando a curadoria. O novo relatório do Google ("O novo consumidor superempoderado"), que eu recebi hoje por e-mail, só confirma essa tendência que tenho vivido na prática.
Como estrategista em uma instituição de ensino — setor que hoje enfrenta desafios como a queda de natalidade e o estreitamento do topo do funil — tenho me perguntado: como as marcas de alta consideração, como escolas, estão se preparando para isso?
Aqui estão três lições que tirei dessa jornada de "mãe-usuária" para o mundo corporativo:
1. Dados batem Design (na era da IA)
O local escolhido tinha um site simples e datado. Antigamente, eu provavelmente o descartaria logo de cara, afinal, sempre acreditamos que a "embalagem" vende o produto. Mas a lógica mudou. O site tinha o que a IA precisava: dados. Enquanto eu buscava (ou nesse caso eliminava uma possibilidade) baseando-me na estética, o Gemini buscava respostas sobre capacidade e custo-benefício — e as encontrou. Se o seu site é visualmente impecável, mas os dados não são legíveis para os modelos de linguagem (LLMs), sua marca corre o risco de ser invisível para quem decide.
2. O fim da pesquisa "por conta própria"
Se eu confiei na IA para um evento familiar único e, mais recentemente, para decidir qual celular comprar, por que as famílias não fariam o mesmo ao filtrar uma escola? A IA reduz a fadiga da decisão; eu resolvi um problema complexo em minutos. Se a sua instituição não aparece no "shortlist" do Gemini ou do ChatGPT, você perde a venda antes mesmo de o cliente entrar no seu funil.
3. De anúncios a sinais de dados
O marketing moderno não é mais sobre escolher palavras-chave. É sobre alimentar a IA com sinais de qualidade. Campanhas de performance (PMax) e presença multimodal garantem que a IA entenda o contexto da sua marca e a recomende para o perfil exato de público, cruzando interesses que vão muito além do consumo imediato.
Conclusão:
A "Busca Agêntica" não é o futuro; é o que aconteceu comigo há quatro semanas ao planejar um evento familiar. E novamente há duas semanas, quando tive diálogos extensos com a IA para decidir qual smartphone comprar, baseando-me em necessidades e desejos muito específicos. (O aparelho chegou hoje — e, eu temo, que a IA tenha acertado e cheio novamente).
O consumidor superempoderado não quer mais perder tempo apenas pesquisando; ele quer a solução. Ou, em uma decisão tão vital quanto a educação de um filho, ele quer os dados reunidos e mastigados para vislumbrar as melhores possibilidades.
Diferente dos buscadores tradicionais, a IA me conhece. Ela acompanha minhas preferências e entrega, a cada pergunta, uma resposta mais certeira. A pergunta que fica para nós, gestores, é: minha marca está pronta para ser a resposta que a IA entrega?
Artigo originalmente publicado no Linkedin


Comentários