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Quando liderar é um ato de cuidado: o que Aspásia ainda tem a nos ensinar

  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Por Raquel Tiburski, Diretora de Marketing e Vendas do supersistema Diário Escola


Deixa eu te contar uma cena que se repete, quase sem variação, em boa parte das escolas brasileiras, e que diz muito sobre o que chamamos de liderança feminina na educação.


São sete e meia da manhã. A diretora já chegou. Ela ainda está destravando o portão quando o primeiro recado aparece no celular: uma família que precisa falar sobre a mensalidade. Antes de responder, ela cruza com a coordenadora pedagógica, que está resolvendo a substituição de um professor com 40 minutos de antecedência.


Na secretaria, a atendente já está ao telefone com outra responsável.

E o dia nem começou.

Essa cena, repetida em milhares de escolas de norte a sul do Brasil, tem algo de extraordinário no ordinário. Ela revela, quase sem precisar de dados, quem sustenta a maior parte das estruturas educacionais deste país: mulheres. Mulheres que lideram, que organizam, que acolhem e que fazem tudo isso ao mesmo tempo, muitas vezes sem que ninguém perceba a magnitude do que está acontecendo.


O que os números revelam e o que eles não conseguem capturar


Os dados do Censo Escolar impressionam: oito em cada dez docentes da Educação Básica brasileira são mulheres. Nas direções das escolas, o cenário é semelhante: cerca de 80% dos gestores escolares também são mulheres. Isso, considerando um universo de mais de 166 mil diretores em todo o país. Dentre essas mulheres, mais de 92% delas têm formação superior.


Em outros setores, a participação feminina ainda enfrenta barreiras históricas. Na educação, a realidade é invertida. Esse contraste deveria nos levar a refletir mais profundamente sobre o que as escolas têm a ensinar ao restante da sociedade.

Porque o que acontece ali não é apenas gestão, é liderança feminina na educação do tipo que conecta, que forma vínculos e sustenta comunidades inteiras.



Uma mulher que parou Atenas com ideias e retórica


Deixa eu apresentar alguém a você.

Aspásia de Mileto viveu na Atenas do século V a.C., uma época em que a participação feminina na vida pública era praticamente inexistente. Ela era conhecida por sua inteligência, pela retórica e pela capacidade de articular pessoas em torno de ideias.

Alguns historiadores sugerem que ela ensinava oratória e participava ativamente de debates filosóficos em uma das sociedades mais intelectualmente vibrantes da história ocidental. Fez isso sem ocupar nenhum cargo formal, sem título e sem um organograma que justificasse sua influência.


Ela liderava porque criava condições para que o pensamento acontecesse. Mais de dois mil anos depois, essa história tem uma ressonância surpreendente quando observamos o cotidiano das escolas brasileiras. Quantas expressões de liderança feminina na educação estão acontecendo agora mesmo, reunindo professores para pensar juntos sobre um currículo, mediando conflitos entre famílias com escuta genuína e construindo consenso onde antes só havia tensão?


A diferença é que, hoje, essas mulheres dispõem de dados, ferramentas e tecnologia. Contudo, o núcleo do que fazem permanece o mesmo: conectar pessoas em torno de um propósito.


Cuidar é uma forma de liderar


Recentemente, li um texto interessante sobre a ampliação da licença-paternidade no Brasil. A nova legislação prevê um aumento progressivo do período de afastamento para os pais. Sem dúvida, trata-se de uma mudança cultural relevante, não apenas trabalhista.

E aqui está o ponto que ficou para mim: quando a sociedade começa a reconhecer que cuidar é responsabilidade de todos, ela também passa a entender que cuidar é uma forma de liderar.


As mães sabem disso há muito tempo. As professoras, então, sabem de sobra.

A pesquisadora e professora Deborah Tannen apresenta um conceito que esclarece bem essa questão: “rapport talk”. Em resumo, trata-se de uma forma de conversa voltada à construção de vínculos, empatia e confiança.


Este é o cotidiano da liderança feminina na educação: presente, relacional e orientada para as pessoas.


Segundo Kenneth Leithwood, referência nos estudos sobre liderança escolar, a atuação da gestão é o segundo fator intraescolar que mais impacta a aprendizagem dos estudantes, ficando atrás apenas do professor em sala de aula.

Ou seja: a liderança importa, e muito.


Uma nova provocação: e quando a tecnologia entra nessa equação?

Aqui está a pergunta que tenho feito a mim mesma, e que faço às diretoras e gestores com quem converso em todo o Brasil:


O que acontece quando você libera a liderança feminina para se dedicar às tarefas que não precisam ser realizadas por líderes?


Parte do que consome o tempo e a energia de uma gestora escolar não é a liderança, mas sim a operação. São comunicados que se perdem, dados que não estão integrados e processos que dependem de uma pessoa específica para funcionar. É aquela sensação de que, se você sair da escola por um dia, algo vai atrasar.


Esse é o nó que o uso inteligente da tecnologia ajuda a desatar. Não estou falando em substituir o ser humano, mas em libertá-lo para fazer o que só ele sabe fazer: liderar de verdade, escutar, decidir, inspirar e criar cultura.


É exatamente esse movimento que tenho acompanhado de perto em mais de 1.500 escolas parceiras do supersistema Diário Escola, distribuídas em diferentes regiões do Brasil. Quando a gestão se organiza, a escola funciona melhor.


O que Aspásia reconheceria nas escolas de hoje?


Se Aspásia pudesse visitar uma escola contemporânea, talvez se surpreendesse com muitas coisas: as telas, os sistemas ou a velocidade da comunicação, por exemplo.


Mas há algo que ela certamente reconheceria nas diretoras, coordenadoras e professoras que encontrasse: a essência da liderança feminina na educação. Ou seja, a capacidade de reunir pessoas em torno de ideias, de criar espaço para o pensamento coletivo e de transformar influência em desenvolvimento.


Isso transcende épocas. Afinal, a escola que funciona bem é aquela em que quem lidera tem espaço para ser, de fato, líder. Com presença, estratégia e cuidado.

Quer entender como o uso inteligente da tecnologia pode liberar a liderança escolar para o que realmente importa?


👉 Leia o artigo completo no blog do Diário Escola e descubra o que a história de Aspásia ainda tem a ensinar sobre gestão, diálogo e protagonismo feminino nas escolas brasileiras.


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